Centro Cultural Bradesco no Second Life: UM ANO!
7 Oct 2008
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Em outubro, programação, tecnologia e participantes inéditos no Centro Cultural Bradesco no Second Life! Aguardem…
Cláudia Trevisan assina o blog “O Tao da China” no portal de “O Estado de S. Paulo” e será uma das convidadas, falando diretamente de Pequim, nas oficinas de agosto no Centro Cultural Bradesco. Conheça aqui algumas das visões e opiniões dessa respeitada jornalista brasileira que se apaixonou pelo “Império do Meio” (respostas formuladas a partir do blog, acessível em http://blog.estadao.com.br/blog/claudia/).
CCB – Qual a importância da sabedoria milenar na vida contemporânea chinesa
Cláudia Trevisan - Acometida por uma terrível crise de insônia logo que cheguei a Pequim, decidi recorrer à medicina tradicional chinesa e à acupuntura antes de me render às tarjas pretas. Eu já era adepta da acupuntura no Brasil, mas nunca havia feito na China, mesmo tendo morado aqui durante um ano entre 2004 e 2005. A primeira coisa que me impressionou na experiência foi ver que os chineses continuam a recorrer à medicina tradicional, apesar do enorme avanço da medicina ocidental no país. Fui à mais antiga farmácia de Pequim, fundada em 1669, e havia filas para atendimento e um feroz movimento atrás do balcão na preparação das fórmulas prescritas pelos médicos _que possuem salas de atendimento na própria farmácia.
CCB – É verdade que o governo chinês preparou Pequim para receber as Olimpíadas, por exemplo tomando medidas para reduzir a poluição
Cláudia Trevisan - As inúmeras lojas que vendem DVDs piratas em Pequim fecharam as portas e colocaram avisos de que os negócios estão “temporariamente” suspensos, em mais uma medida de maquiagem da cidade para os 500 mil turistas esperados para a Olimpíada. Os jardins estão impecáveis, o número de carros nas ruas será reduzido à metade e as centenas de construções serão interrompidas no período dos Jogos. O governo pretende limitar o espaço para a diversão e determinou que todos os bares e casas noturnas fechem às duas da manhã durante a Olimpíada. Muitos estrangeiros que vivem na cidade tiveram que voltar a seus países em razão das restrições impostas pela polícia. Os trabalhadores migrantes que construíram todas as instalações para os Jogos também serão obrigados a deixar Pequim. As autoridades proibiram a venda de carne de cachorro e continuam a campanha pelos “bons modos”, que incluem o respeito às filas e a proibição de que as pessoas escarrem nas ruas.
CCB – Na economia, a China exibe uma peculiar combinação de estímulo às forças de mercado, abertura aos investimentos estrangeiros e intervenção estatal. Como ocorre essa convergência entre forças que, no Ocidente, costumam estar em contradição
Cláudia Trevisan - Com os setores aéreo e de infra-estrutura totalmente controlados pelo Estado, a China tem o poder de definir de quais países suas empresas vão comprar equipamentos de preços bilionários. E também pode romper contratos já assinados, desde que isso atenda a seus interesses políticos. O país asiático vai subir neste ano para o terceiro lugar no ranking das grandes economias do mundo, acima da Alemanha e atrás apenas de Estados Unidos e Japão. Ansiosos por abocanhar um pedaço desse mercado, empresas e investidores fazem concessões que dificilmente aceitariam em países menos relevantes do ponto de vista econômico. Google e Yahoo! se adaptaram às regras da censura chinesa e incluíram em seus dispositivos de busca mecanismos que bloqueiam as páginas vetadas pelo governo chinês. O Yahoo! foi mais longe e forneceu a Pequim informações que permitiram a identificação de um internauta que havia enviado um e-mail para um amigo em Nova York com cópia de um documento do Partido Comunista. Graças à ajuda do Yahoo!, o internauta chinês foi condenado a 10 anos de prisão. As clássicas queixas de investidores internacionais contra a falta de segurança jurídica na América Latina são virtualmente ausentes na China.
(A Estação das Docas também reapresentou aos paraenses e turistas outro patrimônio histórico e cultural: as ruínas do Forte de São Pedro Nolasco, onde foi construído um Anfiteatro. Originalmente uma construção de defesa erguida em 1665, o Forte foi destruído após o Movimento da Cabanagem, em 1825, e revitalizado para a inauguração da Estação, passando a servir como palco de apresentações musicais, performances e teatro.)
Myriam Bahia Lopes, professora-adjunta da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), deu uma oficina no Centro Cultural Bradesco, na qual discutiu a dissolução da paisagem nas intervenções urganas do século 21. Pouco antes de entrar no ar, pelo Skype, falando diretamente de Belo Horizonte ao Centro Cultural Bradesco, Myriam apontou intervenções, mencionando exemplos como as docas em Belém. A seguir, trechos da entrevista.
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Centro Cultural Bradesco: Desde quando você trabalha com a história da cidade?
Myriam Bahia Lopes: Comecei em 1980 e, desde 2005, sou professora-adjunta no Departamento de Análise Crítica e Histórica da Arquitetura e do Urbanismo (ACR) na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais.
CCB: Quando a história da paisagem adquiriu importância?
Myriam Bahia Lopes: Isso virou importante no século 19. Essa época é um marco na criação de espaços cuja função é serem repositários da memória, seja em forma de documentos, livros, a biblioteca nacional ou os jardins botânicos.
CCB: O jardim botânico parisiense pode ser citado como exemplo?
Myriam Bahia Lopes: Na época da Revolução Francesa, no século 18, a única instituição do rei que não foi atacada pelos revolucionários foi o jardim botânico. É importante lembrar que no século 19 os jardins botânicos se consolidam como instituição.
CCB: Qual é a relação que se estabelece entre presente e passado?
Myriam Bahia Lopes: A história funciona como política e sempre costuma fazer tábula rasa do passado. Os governos sempre querem zerar como se estivessem fazendo tudo a partir de uma página em branco. Todo governo quer colocar um marco zero.
CCB: Quais são os traumas que isso gera?
Myriam Bahia Lopes: Quando se faz uma intervenção no espaço, aniquilam-se os testemunhos.
CCB: Quais são os exemplos no Brasil?
Myriam Bahia Lopes: O aeroporto internacional de Belo Horizonte, o Tancredo Neves, foi construído em 1983. Não se fez nenhuma prospecção. Trata-se de um sítio arqueológico. A área toda é riquíssima. Ao lado foi descoberta a Luzia, portanto, é um local com vários testemunhos arqueológicos.
CCB: Os ambientalistas fizeram algo na época?
Myriam Bahia Lopes: Simplesmente aterrou-se o lugar. Não adiantou que ambientalistas alertassem. E o aeroporto ficou anos subutilizado.
CCB: Isso é mais um exemplo de como o presente lida com o passado?
Myriam Bahia Lopes: É uma ilustração de como o presente é prepotente. De como lidamos mal com o passado ao construir paisagens no presente.
CCB: No que consiste o seu trabalho de pesquisa?
Myriam Bahia Lopes: Uma das minhas pesquisas trabalha com a questão da transformação da paisagem. A forma de perceber o espaço muda ao longo do tempo. Depois do trem, do avião e do Google, as pessoas não vêem mais da mesma forma.
É preciso buscar fatores técnicos, estéticos e políticos que mostram essas diferentes formas de perceber e representar o espaço e a paisagem no planeta.
CCB: Que espaços da cidade, além do jardim botânico, permitem esse jogo de tensões entre o presente e o passado?
Myriam Bahia Lopes: Em Belém , houve uma série de intervenções portuárias. O espaço das docas, de armazéns fechados e o portal Lusitânia. O pretexto do governo é atrair turismo, reconquistar o acesso ao rio, que se tinha perdido. Houve uma
getrificação, quando se expulsa a população em nome do turismo. Criou-se todo um cenário em que as pessoas da região não se sentem representadas. É algo que é feito para fora. Isso é extremamente equivocado.
Leia a seguir entrevista de Ricardo Abramovay, um dos convidados do Centro Cultural Bradesco em dezembro, ao “Globo Rural“, sobre a importância da ruralidade como valor na sociedade contemporânea e internacionalizada.
A ruralidade é um valor ao qual o mundo contemporâneo atribui crescente importância, por seu significado na preservação da biodiversidade e no estilo de vida cada vez mais procurado pelos habitantes dos grandes centros. Ricardo Abramovay analisa essa tendência na condição de professor titular de Economia e do Programa de Ciência Ambiental, da Universidade de Sâo Paulo.
A arte contemporânea faz da reconstrução do tempo vivido um território de experiências, inovação e reflexão. Depois do “fim da história”, a aceleração digital de imagens, percepções e linguagens esfacela o espaço, que se torna líquido. Resta ao artista a esperança de provocar nossa carência de narrativas, instaurando novos tempos nos não-lugares. Leia a seguir a entrevista com o Curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life, Gilson Schwartz, comentando os eventos transmitidos em outubro.
Colaborativos – O Simpósio Internacional de Arte Contemporânea aconteceu no Paço das Artes uma semana depois do V Congresso de Estética e História da Arte da USP, nos dois casos com transmissão ao vivo pelo Centro Cultural Bradesco. Quais as propostas curatoriais em jogo?
Schwartz - Há uma clara proximidade física, o fato de que boa parte do meu tempo acontece no espaço da USP, uma Cidade Universitária que tem já na entrada um Paço das Artes voltado para a Arte Contemporânea, com fortes pendores digitais. O Paço tem sido também uma espécie de “câmara escura”, caixa-preta em meio a ruínas logo ali na entrada do campus Butantã da Universidade de São Paulo. Daniela Bousso, à frente do Paço das Artes e de outras iniciativas marcantes da arte contemporânea brasileira e internacional, é uma amiga que em vários momentos abriu meus olhos (e outros sentidos) para as novas formas da arte. Em registro espacial e histórico muito próximos está a convivência com Elza Ajzenberg e, mais remotamente, o contato com o próprio Mario Schenberg na USP. Na semana passada, participando de uma mesa-redonda com Kátia Canton na ECA-USP, vimos e ouvimos uma síntese da arte contemporânea, em especial da produção brasileira. Nela, destaca-se a questão da aceleração do tempo que no espaço digital cria novas formas de amnésia, mobilizando artistas-cidadãos a recuperar, por meio do criar arte e expressão, sentidos para as nossas histórias pessoais e coletivas. Há portanto um horizonte comum à agenda do programa inter-unidades de história da arte e estética da USP e à programação do Simpósio promovido pelo Paço das Artes.
Colaborativos - A sua convivência física, a sua presença tangível no campus da USP abre portanto possibilidades de digitalização de conteúdos em tecnologia, conhecimento e cultura?
Schwartz - É natural que ao assumir a responsabilidade de Curador do Centro Cultural Bradesco eu procure me amparar nessa memória de um espaço em que (con)vivo há 30 anos. Isso torna ainda mais impactante, na minha própria sensibilidade, a provocação do II Simpósio Internacional sobre Arte Contemporânea, que articula o surgimento de novos espaços com transformação de nossa relação com o tempo. Mas não se trata apenas de trazer aquilo que está acontecendo para o canal digital inédito, o Second Life, para o compartilhamento desses conteúdos. O desafio é ao mesmo tempo o de colocar o próprio Second Life na agenda do fazer artístico contemporâneo, entendo que a missão do Centro Cultural Bradesco é também o de fazer parte deste circuito, ser imanente a ele e não apenas um “big brother” cumprindo a função meramente técnica de plugar e transmitir. A própria transmissão faz parte da agenda.
Colaborativos - Você poderia dar um exemplo mais concreto dessa convergência de agendas entre essas várias curadorias, na USP, no Paço das Artes, no Centro Cultural Bradesco, qual é afinal o horizonte conceitual que permite esse alinhamento, essa situação sintonizada?
Schwartz - O ícone dessa convergência é uma intelectual, mulher de carne e osso que ilumina com seu movimento por instituições, países e “corpos” a emergência de uma modernidade pós-humana: Lúcia Santaella. Professora da PUC-SP e da EAESP-FGV-SP, Presidente da sociedade internacional Charles Sanders Peirce, líder do programa de Tecnologias da Informação e Design Digital (TIDD-PUC-SP), Santaella lança neste Simpósio uma obra fundamental para a compreensão não apenas da arte contemporânea, mas da situação contemporânea incluindo nela a emergência dos hibridismos digitais. Sob sua influência e estímulo tenho desenvolvido um trabalho de pesquisa, teoria e prática que alcunhei “iconomia”. Lúcia Santaella integra também o Conselho Curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life, um privilégio e uma oportunidade para levar a um número ainda maior de cidadãos o conhecimento e a sensibilidade dessa grande pensadora.
O Centro Cultural Bradesco organiza atividades em torno de três eixos temáticos: economia e negócios, responsabilidade sócio-ambiental e artes. No campo da economia, a prioridade é participar do movimento pelo empreendedorismo inovador, que nos últimos 20 anos cresceu e consolidou no Brasil formas inéditas de apoio a micro e pequenas empresas.
A trilha do empreendedorismo inovador foi inaugurada na semana passada por Guilherme Ary Plonski, coordenador científico do núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP e presidente da ANPROTEC - a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores.
“Fazer cultura num centro mantido pelo Bradesco é uma oportunidade para promover a cultura do empreendedorismo no país”, segundo Guilherme Ary Plonski. “É mais um canal de apoio ao micro e pequeno empresário que precisa de informação, tecnologia e conhecimento para fazer seu negócio prosperar”, completa Plonski.
Nas próximas semanas, empreendedores e lideranças na área da inovação, em especial para micro e pequenas empresas, participarão dessa trilha cujo objetivo maior é apoiar iniciativas e projetos voltados à cultura da inovação no Brasil.
A oficina realizada com Plonski já está disponível e será reapresentada, com a presença de moderadores convidados, nos próximos dias. Os interessados em participar e acessar os conteúdos dessa trilha devem increver-se no Portal de Trilhas Temáticas do Centro Cultural Bradesco.
Na oficina, Plonski ressalta o vigor econômico atual no Brasil e sublinha a importância de iniciativas capazes de articular empresas, centros de pesquisa e sistema financeiro. “Estamos assistindo a uma expansão sem precedentes de oportunidades para “venture capital”, fundos de financiamento público à inovação e novos modelos de negócios digitais. É a hora de ampliar a informação sobre o mundo digital direcionada à criação de uma cultura inovadora nas micro e pequenas empresas”, completa Plonski.
Conhecimento, eventos, vendas, promoções e formação. Tudo isso vai acontecer nos mundos virtuais. Quem afirma é Emmanuel Publio Dias, diretor de marketing e novos negócios da ESPM.
“Esse tipo de realidade virtual colaborativa é um dos futuros da internet”, vaticina o executivo. Indagado se o Second Life não é mais um modismo, Publio Dias dispara: “Se não for no Second Life, será em outro”. Ou seja, a sobrevivência do Second Life é irrelevante. “O que importa é que haverá possibilidades de desenvolvimento de comunicação e marketing em uma arena virtual.” Pu-blio Dias lembra que o navegador Netscape foi sucesso no início da web, nos anos 90, perdendo terreno depois para outras marcas.
Hoje pode constatar-se que a força dos mundos paralelos como meio de expressão é inegável, acrescenta o executivo. Outro ponto que Publio Dias ressalta: “Se a ESPM é voltada para o desenvolvimento dos negócios, consideramos o mundo virtual um dos espaços por onde eles podem acontecer”.
Publio Dias é um dos convidados do Centro Cultural Bradesco no Second Life. Na segunda semana de outubro, ele fará a oficina Mundo Virtual nas Empresas.
O executivo adianta que a ESPM vai criar, em breve, uma oficina de ferramentas em 3D para o usuário da rede montar. Para esse plano, conclui, os professores da entidade estarão totalmente envolvidos.
