Enquanto muita gente ainda discute se a plataforma Second Life é ou não a linguagem imersiva do futuro, a Linden Lab, empresa que licencia a tecnologia, aposta na abertura do padrão, convergindo com sistemas abertos.
Esse foi o recado de Philip Rosedale, executivo-chefe da empresa, na conferência “Managing Virtual Distance” (Gerenciando a Distância Virtual), realizada na semana passada em Anaheim, California.
O primeiro dia de shows do Contato é uma grande festa da música brasileira.
Começando a noite com o músico sãocarlense Ricardo Finazzi que faz uma bela viagem pela música raiz do interior de São Paulo até as levadas Pop da MPB. Na sequência os também anfitriões Blues the Ville mostram o trabalho de seu primeiro CD lançado neste ano após vários de carreira. A banda traz um blues dançante que promete levar muito bom humor e agitação para a plataforma da Estação. Já o grupo ½ Dúzia de 3 ou 4, que junta integrantes de divesas cidades do estado, traz uma nova MPB performática, em um palco cheio de participações especiais de atores e dançarinos, trazem um belíssimo espírito de alegria e fetividade a esta primeira noite de shows.
O Centro Cultural Bradesco transmite ao vivo e com exclusividade, nessa semana, o primeiro festival multimídia da Universidade Federal de São Carlos, com debates, oficinas e shows que darão acesso a inovações e tendências em rádio, TV, cinema e arte eletrônica.
“Contato”, o nome do festival, sugere mais que conexão ou interação. Trata-se de imersão, vivência, projeto cultural que explora não apenas as interfaces, mas ações concretas capazes de promover a convergência entre tecnologia digital e criatividade.
As oficinas sobre Cenários e Tendências da economia brasileira no Centro Cultural Bradesco ganham em novembro uma participação especial: Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, é o nosso convidado.
Em sua primeira participação, o destaque são as perspectivas da economia internacional. A avaliação de riscos ainda presentes no cenário norte-americano e a nova inserção da economia brasileira, que tem resistido bem às turbulências externas, estão no centro das preocupações de investidores, empreendedores e governos.
Afinal, quem manda na rede global?
Ora, quem comanda a economia global são os EUA. Quem inventou a tecnologia que deu origem à internet são os EUA. As principais inovações tecnológicas no setor vêm dos EUA.
Apesar disso, dada a importância do assunto para o mundo todo e como acontece em outros temas como meio-ambiente, comércio justo e propriedade intelectual, passando pelo Conselho de Segurança da ONU e pelas organizações multilaterais (ONU, FMI, Banco Mundial, BID…), esse é um território aberto, como nunca na história ocidental, à contestação da hegemonia pelos atores secundários e subordinados no jogo.
Acontece no Rio de Janeiro, ao longo dessa semana, o “Internet Governance Forum”, iniciativa que reúne setor privado, representantes de governos e da sociedade civil de todo o mundo, sob os auspícios da ONU, para discutir a economia, a política e a cultura da internet.
A realização do Forum no Rio de Janeiro já reflete a importância do Brasil no cenário global das comunicações digitais. A programação pode ser conferida ao vivo, online, uma demonstração de que a rede global está organizada e ativa.
Já não é cenário de ficção científica a realização desses foros globais online. Ao longo da semana, o Centro Cultural Bradesco vai espelhar e produzir material inédito sobre esse importante encontro planetário.
Os depoimentos e registros de vida digital, de uma segunda vida, no espaço-tempo do Centro Cultural Bradesco ganham a cada dia novos desafios no campo da iconomia, da sustentabilidade e das artes.
A experiência (e o experimento) de encenação da peça “Bate-Papo”, no Colégio São Domingos, assim como a interação com a “Orquestra de Laptops” de Wilson Sukorski na Faculdade Anhembi-Morumbi ou ainda a conexão com os debates sobre sustentabilidade realizados na Livraria Cultura são alguns dos eventos que definem a identidade móvel do Centro Cultural Bradesco no Second Life.
A busca de conexões, a abertura do espaço e do tempo do Centro Cultural para pulsar junto com a sociedade e a cultura que estão acontecendo agora, no Brasil e no mundo, é a marca dessa experiência de construção colaborativa e cultural híbrida, no real e no digital.
A arte contemporânea faz da reconstrução do tempo vivido um território de experiências, inovação e reflexão. Depois do “fim da história”, a aceleração digital de imagens, percepções e linguagens esfacela o espaço, que se torna líquido. Resta ao artista a esperança de provocar nossa carência de narrativas, instaurando novos tempos nos não-lugares. Leia a seguir a entrevista com o Curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life, Gilson Schwartz, comentando os eventos transmitidos em outubro.
Colaborativos – O Simpósio Internacional de Arte Contemporânea aconteceu no Paço das Artes uma semana depois do V Congresso de Estética e História da Arte da USP, nos dois casos com transmissão ao vivo pelo Centro Cultural Bradesco. Quais as propostas curatoriais em jogo?
Schwartz - Há uma clara proximidade física, o fato de que boa parte do meu tempo acontece no espaço da USP, uma Cidade Universitária que tem já na entrada um Paço das Artes voltado para a Arte Contemporânea, com fortes pendores digitais. O Paço tem sido também uma espécie de “câmara escura”, caixa-preta em meio a ruínas logo ali na entrada do campus Butantã da Universidade de São Paulo. Daniela Bousso, à frente do Paço das Artes e de outras iniciativas marcantes da arte contemporânea brasileira e internacional, é uma amiga que em vários momentos abriu meus olhos (e outros sentidos) para as novas formas da arte. Em registro espacial e histórico muito próximos está a convivência com Elza Ajzenberg e, mais remotamente, o contato com o próprio Mario Schenberg na USP. Na semana passada, participando de uma mesa-redonda com Kátia Canton na ECA-USP, vimos e ouvimos uma síntese da arte contemporânea, em especial da produção brasileira. Nela, destaca-se a questão da aceleração do tempo que no espaço digital cria novas formas de amnésia, mobilizando artistas-cidadãos a recuperar, por meio do criar arte e expressão, sentidos para as nossas histórias pessoais e coletivas. Há portanto um horizonte comum à agenda do programa inter-unidades de história da arte e estética da USP e à programação do Simpósio promovido pelo Paço das Artes.
Colaborativos - A sua convivência física, a sua presença tangível no campus da USP abre portanto possibilidades de digitalização de conteúdos em tecnologia, conhecimento e cultura?
Schwartz - É natural que ao assumir a responsabilidade de Curador do Centro Cultural Bradesco eu procure me amparar nessa memória de um espaço em que (con)vivo há 30 anos. Isso torna ainda mais impactante, na minha própria sensibilidade, a provocação do II Simpósio Internacional sobre Arte Contemporânea, que articula o surgimento de novos espaços com transformação de nossa relação com o tempo. Mas não se trata apenas de trazer aquilo que está acontecendo para o canal digital inédito, o Second Life, para o compartilhamento desses conteúdos. O desafio é ao mesmo tempo o de colocar o próprio Second Life na agenda do fazer artístico contemporâneo, entendo que a missão do Centro Cultural Bradesco é também o de fazer parte deste circuito, ser imanente a ele e não apenas um “big brother” cumprindo a função meramente técnica de plugar e transmitir. A própria transmissão faz parte da agenda.
Colaborativos - Você poderia dar um exemplo mais concreto dessa convergência de agendas entre essas várias curadorias, na USP, no Paço das Artes, no Centro Cultural Bradesco, qual é afinal o horizonte conceitual que permite esse alinhamento, essa situação sintonizada?
Schwartz - O ícone dessa convergência é uma intelectual, mulher de carne e osso que ilumina com seu movimento por instituições, países e “corpos” a emergência de uma modernidade pós-humana: Lúcia Santaella. Professora da PUC-SP e da EAESP-FGV-SP, Presidente da sociedade internacional Charles Sanders Peirce, líder do programa de Tecnologias da Informação e Design Digital (TIDD-PUC-SP), Santaella lança neste Simpósio uma obra fundamental para a compreensão não apenas da arte contemporânea, mas da situação contemporânea incluindo nela a emergência dos hibridismos digitais. Sob sua influência e estímulo tenho desenvolvido um trabalho de pesquisa, teoria e prática que alcunhei “iconomia”. Lúcia Santaella integra também o Conselho Curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life, um privilégio e uma oportunidade para levar a um número ainda maior de cidadãos o conhecimento e a sensibilidade dessa grande pensadora.
Pela primeira vez, Second Life é palco para “Bate-papo”, com direção de Tuna Serzedello
Nesta semana, o Centro Cultural Bradesco traz uma inovação para o seu auditório. Trata-se da primeira exibição de uma peça de teatro no Brasil no Second Life.
“Bate-papo”, escrita pelo inglês Enda Walsh e dirigida por Tuna Serzedello, será transmitida no Centro Cultural Bradesco e exibida em escolas da rede privada e pública.
Após a exibição, das 20h às 22h, abre-se um debate que também será transmitido no Auditório do Centro Cultural Bradesco, com a participação de Maria Rita Kehl, psicanalista e ensaísta, Tuna Serzedello, diretor do espetáculo, Sandra Inês, pesquisadora em educação e mediação de conflitos e Sônia Bertochi, do projeto EducaRede.
O tema da noite é “Bate-Papo nos Limites da Terra de Ninguém”. O debate será mediado por Gilson Schwartz, professor da USP, diretor da Cidade do Conhecimento e curador do Centro Cultural Bradesco no Second Life.
